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Importância dos lugares de memória é tema de segundo dia de Fórum

12 dez/2019

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A conferência Das cidades imaginadas às cidades disputadas: ruínas, rastros e inscrições de memórias abriu o segundo dia do Fórum Fiocruz de Memória. A escritora, pesquisadora, doutora em Antropologia Social e professora do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Unirio, Regina Abreu, trouxe para debate questões relacionadas à construção e à utilização dos espaços de memória, tendo, como pano de fundo, Berlim, na Alemanha, e Rio de Janeiro. O evento ocorreu no Salão de Conferência, no dia 6 de dezembro, no Centro de Documentação e História da Saúde.

Veja o que aconteceu no primeiro dia do Fórum Fiocruz de Memória

Segundo a pesquisadora, apesar de seguirem trajetórias diferentes, os lugares de memória das duas cidades possibilitam uma riqueza de experiências plurais, seja nos restos do muro que dividia a Alemanha, no Museu do Holocausto, erguido em memória dos judeus mortos pelo regime nazista, seja em museus sociais ou comunitários como o Museu da Maré no Rio de Janeiro: “Murais com o que sobrou e foi ressignificado com a queda do muro, memoriais como o do Holocausto ou museus sociais abrem portais para comunicar temas incômodos e quebrar as regularidades dos percursos lineares para quem se propõe a circular pelas cidades”, explica Regina.

Ao lado dos discursos homogeneizadores, que vendem a cidade para diferentes mercados de consumo material, seja como lugar de turismo, tecnologia, ou história, há uma disputa de narrativas, que envolvem outros segmentos sociais. São esses espaços de memória que têm a qualidade de comunicar outros sentidos e outras formas de pertencimento, ancorando o sujeito numa temporalidade complexa que não se adequa ao tempo linear da modernidade: “São espaços que não podem ser consumidos, mas oferecem reflexão e engajamento”, diz a antropóloga.

“É preciso realizar um trabalho de memória, pois esta não é espontânea”

Regina exemplificou sua fala abordando a utilização do memorial do Holocausto como cenário para selfies na cidade alemã e a construção de uma memória que exclui uma parte da população, baseada no olhar da elite, como acontece no Rio de Janeiro. “É preciso realizar um trabalho de memória, pois esta não é espontânea”, diz a pesquisadora, que alerta para o fato de que não há um consenso sobre o significado do que seja memória: “É preciso construir uma comunidade de sentido e pertencimento para que as memórias sejam reconhecidas e valorizadas como tais”, concluiu.

A voz do território

O segundo dia do Fórum também contou com a mesa redonda Sociedade, Memória e Território. Composta pela coordenadora Espaço Casa Viva/Rede CCAP, Elizabeth Campos de Lourenço Cezar, do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e de André Lima, do Conselho Gestor Intersetorial do Teias Escola Manguinhos, a atividade foi coordenada pelo diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Hermano Castro.

Moradores de Manguinhos, os debatedores expuseram a relação entre memória, cidade e sociedade pelo ponto de vista de quem vive no território. Elisabete e André falaram de sua trajetória de vida, atuação social e política em defesa do território de Manguinhos. Para os debatedores, as parcerias entre os movimentos sociais e instituições como a Fiocruz é primordial para avançar nas politicas públicas e construir uma memória mais inclusiva, não somente com a visão das elites e do poder: “A responsabilidade e o compromisso de continuarmos a acreditar em uma sociedade mais justa não é do amanhã, não é do futuro, nem daquilo que foi, porque a responsabilidade é nossa”, pontuou Elisabete.

Confira o vídeo sobre a homenagem ao médico e sanitarista David Capistrano durante o Fórum Fiocruz de Memória.