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Documentário produzido pela COC e Icict participa de festival no Recife

21 set/2011

O documentário Cinematógrafo Brasileiro em Dresden participará do 3° Festival do Filme Etnográfico do Recife, que ocorrerá nos dias 26 a 29 de setembro, e será exibido dentro da Mostra Imagens, comunicação e saúde, no último dia do evento, entre 9 e 12h. O evento é uma iniciativa dos programas de pós-graduação em Antropologia e em Comunicação, da Universidade Federal de Pernambuco, com o apoio da Associação Brasileira de Antropologia.

 

O documentário de Eduardo Thielen (historiador e pesquisador da VideoSaúde Distribuidora/Icict) e Stella Oswaldo Cruz Penido (pesquisadora da COC/Fiocruz), que tem duração de 21 minutos, contém cenas de antigos filmes sobre saúde realizados no Brasil, realizados pelo Instituto Oswaldo Cruz e apresentados por Oswaldo Cruz em Dresden, em 1911, e exibidos no pavilhão do Brasil na exposição de Dresden, há cem anos . O documentário Cinematógrafo Brasileiro em Dresden traz imagens de filmes que retratam a campanha contra a febre amarela empreendida no Rio de Janeiro por Oswaldo Cruz (com cenas sobre as ações preventivas adotadas pela campanha na cidade) e “Chagas em Lassance”, com imagens realizadas por Carlos Chagas na cidade mineira de Lassance, onde descobriu a doença que levaria seu nome. Em março deste ano esse documentário foi lançado durante o Simpósio Internacional Brasil-Alemanha, na Fiocruz.

 

Segundo Stella, Oswaldo Cruz sempre teve preocupação em fazer registros fotográficos de pesquisas, a exemplo das expedições científicas realizadas por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz pelo interior do Brasil que levavam em suas comitivas um fotógrafo para documentar as doenças observadas naquelas regiões. Também no Instituto havia um fotógrafo contratado, J. Pinto, para registrar os trabalhos dos cientistas, a construção dos prédios históricos e os pesquisadores e autoridades que visitavam a instituição. “O filme Cinematógrafo Brasileiro em Dresden realizado por ela e Eduardo Thielen tem uma dimensão didática e histórica, e foi resultado de anos de pesquisa”, disse Stella.

 

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Equipe de produção, da esq. para dir.: Stella Penido, Juçara Palmeira (COC),

Eduardo Thielen, Alexandra Carias (COC), Marcos Renkert (Icict), Gislaine Lima e Eliana Pontes (VideoSaúde);

e Alice Ferry de Moraes, à frente. Foto: Larissa Garcia (Icict)

 

No cenário internacional, em 1907, Oswaldo Cruz, com a colaboração de seu assistente, Henrique da Rocha Lima, já havia sido premiado com a medalha de ouro na Exposição Internacional de Higiene de Berlim. A repercussão desse prêmio no Brasil foi suficiente para que o Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos fosse rebatizado como Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

 

Além dos estandes que representavam as atividades de produção de soros e vacinas produzidos pelo IOC, a montagem para a Exposição Internacional de Higiene de Dresden incluiu uma sala de projeção, o Cinematógrafo, onde foram exibidos dois filmes.

 

O primeiro, rodado no Rio de Janeiro, mostra as técnicas de profilaxia da febre amarela, como o isolamento de residências por meio da cobertura dos telhados com panos brancos e a fumigação de gás de piretro, substância utilizada na eliminação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da doença.

 

O segundo filme, feito no município de Lassance (MG), apresenta uma paisagem tipicamente rural, e com o uso de intertítulos mostra imagens de mulheres e crianças acometidos pela tripanossomíase americana. Esta moléstia foi posteriormente denominada doença de Chagas, em homenagem ao cientista que a descobriu em 1909: Carlos Chagas, que está presente neste filme e observa os doentes que se locomovem com dificuldade.

 

O objetivo do Festival do Recife é premiar produções cinematográficas/videográficas nacionais e internacionais, produzidas a partir de 2009, que abordem questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos sob temáticas de interesse antropológico. Serão premiados o melhor filme etnográfico e o melhor documentário. Haverá também uma premiação especial do júri popular. É promovido pelos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco.

 

Mais informações sobre o III Festival de Filme Etnográfico.