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Antropólogo Roquette-Pinto é tema de trabalho na Anpuh-Rio, em 20 de julho

21 jul/2010

A poucos dias da morte anunciada da versão impressa do Jornal do Brasil, que depois de 119 anos deixará de circular no dia 30 de julho, Vanderley Sebastião de Souza fez uma análise sobre a coluna “Notas e Opiniões”, do médico e antropólogo Edgard Roquette-Pinto para o diário.

O doutorando do Programa de Pós-Graduação da COC analisa os textos de um dos pioneiros da radiodifusão no país, escritos entre 1951 e 1954, em que discutia aspectos dos seus estudos no campo da antropologia e dialogava com figuras como o historiador Capistrano de Abreu e o sociólogo, antropólogo e escritor Gilberto Freyre, entre outras personagens ilustres.

Na coluna, ele também sustentava sua posição antirracista e sempre referia-se à atuação de seus pares nos programas de rádio inteiramente dedicados à educação e cultura e nas Academias Brasileiras de Ciências e na de Letras.

Ao iniciar a apresentação, na terça (20/7), durante o 14º Encontro da Anpuh-Rio, o doutorando da COC e outros participantes do Simpósio “Memória, história e sensibilidades nas artes, nas ciências e no pensamento” lamentaram o fato de um dos mais prestigiados diários do país passar a ser veiculado apenas na versão eletrônica.

No mesmo fórum de debates, Ana Luce Girão, que integra o Departamento de Arquivo e Documentação da COC, falou sobre seu trabalho de organizar arquivos pessoais de cientistas, com o foco voltado para Carlos Chagas Filho.

Ela fez um perfil do criador do Instituto de Biofísica da UFRJ, que divulgou estudos pioneiros em radioisótopos e disse acreditar que o seu forte sentimento religioso o levou a atuar como um humanista em suas pesquisas, incluindo em suas discussões temas como a paz e o desenvolvimento científico a serviço de países da periferia.

Outro aluno do doutorado da pós-graduação da COC, Ricardo Alexandre Santos de Souza, falou sobre o andamento de sua pesquisa sobre a obra do historiador cearense Capistrano de Abreu, prestigiado por sua erudição.

Integrante da elite intelectual do Ceará, veio para o Rio de Janeiro depois de ter a erudição elogiada publicamente por figuras como o escritor José de Alencar. Teve aulas de alemão com Machado de Assis e trabalhou no O Globo e na Gazeta de Notícias.

Foi funcionário da Biblioteca Nacional, professor do Colégio Pedro II, e um dos primeiros a destacar o papel do homem comum como personagem e fio condutor da história. Sua obra mais importante é Capítulos de história colonial, 1500-1580.

Programa amplo e diversificado: Brasiliana eletrônica

Um dos pontos altos do encontro da Anpuh-Rio foi a apresentação do Projeto Brasiliana Eletrônica, por Sergio Lamarão, que coordenou todo o processo de digitalização. Ele mostrou como acessar o site que vai abrigar 415 volumes da coleção, publicada a partir de 1931 pela Companhia Editora Nacional, reunindo títulos importantes de autores brasileiros e de outros países, em todos os campos do conhecimento, da sociologia e antropologia à história natural e geologia.

O site já está no ar, com 74 livros disponíveis para consulta. As obras são apresentadas em dois formatos: facsímiles da primeira edição e como textos passíveis de intervenção. Estes últimos foram submetidos à atualização ortográfica e normalização dispõe de recursos que permitem ao usuário localizar, copiar, colar e imprimir quaisquer palavras ou trechos da obra consultada. O projeto é da UFRJ e conta com apoio da Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação.

Na sexta, 23 de julho, às 18h30 no auditório Vera Janacópulos da UniRio, à Av. Pasteur 296, a conferência de encerramento é do professor Ulpiano Bezerra de Menezes, da USP, que vai falar sobre história e patrimônio cultural: caminhos e descaminhos.

Apresentações nos simpósios temáticos

Alunos e professores da Casa e de outras instituições brasileiras e do exterior distribuem-se para apresentar trabalhos e assistir às exposições e participar de debates, que acontecem nos 35 simpósios da Anpuh-Rio ao longo da semana.

Aluno da pós-graduação da COC, Marcos Bhering falou sobre o papel das agências internacionais e dos atores locais no planejamento familiar e o controle da natalidade no Brasil entre 1960 e 1980. Já Tiago Alves Jaques apresentou o processo de negociação e a validação em nível internacional da Convenção-Quadro, um acordo que visa o controle da utilização do tabaco.

O controle do câncer no país foi o tema da análise de Luiz Antonio Teixeira, pesquisador da Casa. A aluna Nicole Régine Garcia falou sobre o Prórural — a previdência social  no campo durante o governo do General Garrastazu Médici.  

No simpósio “Sociedade e assistência”, Luiz Otávio Ferreira, Laurinda Rosa Maciel e Kaori Kodama analisaram temas tais como a filantropia e a assistência à infância no início do século 20 na Bahia; a história de vida de internados em leprosários e a saúde de escravos durante a epidemia de cólera no Rio, a partir dos registros da Santa Casa sobre as mortes.

Algumas das apresentações previstas para os dias 22 e 23 de julho são as da pesquisadora Tânia Fernandes com as alunas Daiana Crus Chagas e Érica Mello e Souza que, na sexta, vão descrever as orientações utilizadas no Brasil durante a campanha visando a erradicação da varíola, banida há 30 anos do mundo.

Na quinta (22/7), Pedro Felipe Muñoz fala sobre História, memória e relações de gênero. Raphael da Silva apresenta trabalho sobre o primeiro movimento grevista médico no país, na década de 1950. Tânia Salgado Pimenta fala sobre o hospital da Santa Casa no Rio de Janeiro dos oitocentos.

Na sexta (23/7) há inúmeras apresentações, entre elas a de Rodrigo da Silva Magalhães sobre a febre amarela e as origens da medicina tropical no Brasil; e a de Fernando rebelo, sobre a imigração como um problema de saúde pública, a partir do caso da vinda do navio Carlo R. para o Brasil na virada do século 19 para o 20.

Tâmara Rangel vai falar sobre a institucionalização da medicina em Goiás, a partir dos médicos, nos anos 1940-70. Rômulo de Paula Andrade fala sobre saúde na Amazônia na década de 1950. Natacha Regazzini fala sobre documentos de arquivo como patrimônio cultural em uma perspectiva historiográfica.

 

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