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Quatro projetos editorais da Casa de Oswaldo Cruz são contemplados por edital da Faperj

12 jan/2012


A Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) foi contemplada com a aprovação de quatro projetos na segunda edição do programa de Auxílio à Editoração (APQ 3), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), referente ao ano de 2011. De acordo com a Faperj, houve 67 títulos propostos por pesquisadores de 17 instituições de ensino e pesquisa. A COC foi beneficiada com trabalhos dos seguintes pesquisadores: Luiz Antonio da Silva Teixeira (Controle do Câncer no Brasil: passado e presente), Marcos Chor Maio (A História do projeto Unesco: ciências sociais e relações raciais no Brasil), Tânia Salgado Pimenta (Suplemento especial à saúde dos escravos: doenças, medicina e escravidão atlântica) e Paulo Roberto Elian dos Santos (Arquivos pessoais: história, preservação e memória da ciência). O programa destina-se a apoiar a edição de livros, manuais, números temáticos de revistas e coletâneas científicas organizadas por pesquisadores com grau de doutor ou equivalente. Estende-se ainda às solicitações para a produção de vídeos, CDs e DVDs.

 

Organizado por Paulo Roberto Elian dos Santos, vice-diretor de Pesquisa, Educação e Divulgação Científica da COC, e Maria Celina Soares de Mello e Silva (do Museu de Astronomia e Ciências Afins – Mast), o livro Arquivos pessoais: história, preservação e memória da ciência reúne um conjunto de textos originalmente apresentados no simpósio temático “Arquivos pessoais de cientistas: as abordagens da arquivologia e da história” que os pesquisadores coordenaram no 12° Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia, realizado em Salvador (BA), em 2010. De acordo com Paulo Elian, foram incluídos mais dois trabalhos para a obra.

 

“O livro, portanto, reúne textos de arquivistas e historiadores que analisam diferentes aspectos relacionados aos arquivos pessoais de cientistas com atuação em diferentes áreas. São abordagens que percorrem questões conceituais e metodológicas e apresentam os resultados da reflexão sobre este tipo de arquivo, realizada na COC/Fiocruz e no Mast”, explica o pesquisador.

 

Com o título Controle do Câncer no Brasil: passado e presente, o livro escrito por Luiz Antonio Teixeira, pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz; Marco Antonio Teixeira Porto, professor de saúde pública da Universidade Federal Fluminense (atualmente cedido à COC) e Claudio Noronha, coordenador geral de ações estratégicas do Instituto Nacional de Câncer, é resultado da parceria entre a Fiocruz e o Instituto Nacional de Câncer, concretizada por meio do projeto História do Câncer: atores, cenários e políticas públicas. Também conta com o apoio da Faperj, através de uma bolsa Jovem Cientista do Nosso Estado, outorgada ao proponente do projeto. Segundo Luiz Antonio Teixeira, o objetivo é informar sobre a história do controle do câncer no país, revelar a situação atual da doença, permitir o conhecimento das políticas para o seu controle, dando noções sobre a sua prevenção e os princípios gerais do tratamento.

 

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que a doença representa a segunda causa de morte da população brasileira. “Não obstante o sucesso das políticas públicas contra o tabaco e seus reflexos na mortalidade por câncer de pulmão, alguns cânceres evitáveis, como o do colo do útero, ainda apresentam altas taxas de mortalidade em nossa população”, constata o historiador. Os autores também se debruçaram sobre extensa pesquisa iconográfica (em etapa de finalização), o que vai possibilitar a elaboração de um livro ricamente ilustrado, diagramado com o objetivo de se tornar acessível e interessante ao público leigo e aos profissionais de saúde não especialistas.

 

A origem, o desenvolvimento e as diferentes perspectivas que nortearam os trabalhos chancelados pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) Unesco quanto ao preconceito e discriminação racial são os temas do livro A História do Projeto Unesco: ciências sociais e relações raciais no Brasil, do pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz Marcos Chor Maio. A obra aborda o ciclo de pesquisas sobre as relações raciais no Brasil patrocinado pela agência internacional no início dos anos 1950, que reuniu sociólogos e antropólogos brasileiros, americanos e franceses, como Roger Bastide, Florestan Fernandes, Oracy Nogueira, Virgínia Leone Bicudo, Charles Wagley, Luiz de Aguiar Costa Pinto, Marvin Harris, Thales de Azevedo e René Ribeiro.

 

Segundo Marcos Chor, sob o impacto do Holocausto, dos processos de descolonização, da Guerra Fria e da persistência do racismo, a recém-criada Unesco definiu uma agenda de combate ao racismo escolhendo o Brasil como contra-exemplo das experiências racistas ocorridas durante o conflito mundial e no pós-2ª Guerra.  “A rede transatlântica de cientistas sociais convidada pela Unesco para pesquisar as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, e áreas rurais do Nordeste e Sudeste evidenciou ambivalências entre a visão positiva comumente aceita da sociabilidade brasileira em matéria étnico-racial e as desigualdades sócio-raciais existentes no país”, afirma o pesquisador.

 

Outra obra contemplada, Suplemento especial à saúde dos escravos: doenças, medicina e escravidão atlântica “é resultado da percepção do aumento e consistência da produção historiográfica sobre escravidão e saúde em diversas regiões do país”, diz a autora Tânia Salgado Pimenta. Ela acrescenta que seu objetivo foi dar visibilidade e fortalecer essa temática, por meio de trabalhos desenvolvidos com diferentes abordagens, representadas em parte no Grupo de Pesquisa do CNPq Escravidão, Raça e Saúde. O volume é composto de artigos elaborados por pesquisadores conceituados e também por doutorandos de vários programas de pós-graduação. Há ainda estudos desenvolvidos por especialistas estrangeiros (do Benin, de Trinidad e Tobago e dos EUA), visando dar ao leitor “um panorama da diversidade de contextos e de questões investigadas, suscitando a ampliação do debate sobre o tema”, esclarece.

 

A relação dos contemplados pode ser consultada no site da Faperj.