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A importância dos arquivos pessoais para a memória da ciência é tema de publicação inédita no Brasil

19 jul/2012

Capa do livro arquivos pessoais da editora associação dos arquivistas brasileiros
Capa: Arquivos Pessoais,
editora Associação dos
Arquivistas Brasileiros

 

Quando se trata de arquivos pessoais de cientistas ou profissionais que atuam em ciência e tecnologia, as fontes de pesquisa ainda são escassas. No esforço de preencher esta lacuna e contribuir para o desenvolvimento dos aspectos teóricos e metodológicos da arquivologia na área científica, a Associação dos Arquivistas Brasileiros lançou, com o apoio da Faperj, o livro Arquivos Pessoais: História, Preservação e Memória da Ciência, tema abordado pela primeira vez em uma publicação no país.

 

 

O livro reúne textos originalmente apresentados no 12° Seminário Nacional de História na Ciência e da Tecnologia, em 2010, e retrata a experiência de quatro instituições brasileiras responsáveis pela custódia e tratamento de arquivos pessoais da área da ciência, Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST/MCTI ), Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica e Departamento de Geociências da Universidade Federal de Ponta Grossa, no Paraná.

 

 

A proposta dos organizadores Maria Celina Soares de Mello e Silva, Coordenadora do Curso de Especialização Lato Sensu em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia do MAST, e Paulo Roberto Elian dos Santos, vice-diretor de Pesquisa, Educação e Divulgação Científica da COC, é oferecer um panorama variado das questões enfrentadas por aqueles que se dedicam à pesquisa e à proteção do patrimônio arquivístico na área da ciência e da tecnologia.

 

Charge de Santos Dumont. New York Herald, 1902
Charge sobre Santos Dumont.
New York Herald, 1902

 

 

Os textos abordam acervos de personagens com interesses e personalidades díspares, como Santos Dumont e Carlos Chagas Filho. Em comum, a decisão dos responsáveis pelos documentos em doá-los a instituições com notoriedade reconhecida na preservação e na difusão do patrimônio documental da ciência. Tal ação reflete a intenção de proteger o arquivo, para “garantir às gerações futuras uma outra forma de pensar ou de agir”, sublinha a historiadora Araci Gomes Lisboa no artigo O Livro, A Parede e Os Arquivos Pessoais, integrante da publicação.

 

 

As marcas da personalidade dos produtores dos arquivos e a diversidade de objetos encontrados refletem um desafio para os arquivistas: estabelecer critérios para organização desses documentos, uma vez que eles não seguem a lógica institucional, baseada principalmente em estrutura e função, mas são regidos pelos interesses pessoais, relações de amizade e sociabilidade e apresentam um limite tênue entre os domínios da atividade profissional e da vida familiar.

 

 

 

“Por isso, é fundamental conhecer com razoável grau de profundidade a vida profissional e pessoal do produtor do arquivo ao longo da sua história”, ressalta Paulo Elian. Segundo o organizador da obra, a biografia do personagem deve ser o fio condutor do arquivista na etapa de identificação dos documentos, pois permite vislumbrar a lógica em que foram acumulados. Outro ponto importante é a necessidade de atentar aos critérios utilizados para a guarda desses documentos, o contexto político, social ou econômico em que o documento foi mantido e a trajetória que ele percorreu antes de ingressar no acervo.