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Fiocruz foi “agente estruturador na pandemia”, afirma historiadora

01/07/2022

Por Haendel Gomes

“A Fiocruz passou a ser um agente estruturador da própria ideia de presente durante a pandemia”, afirmou a pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) Simone Kropf, ao participar do 4º Fórum Fiocruz de Memória, promovido em 28 de junho, no Rio. Desde 2020, a historiadora desenvolve o projeto “O tempo presente na Fiocruz: ciência e saúde no enfrentamento da pandemia de Covid-19”, que tem como objetivo registrar e analisar a atuação da Fundação no enfrentamento da emergência sanitária.

Percebemos, na fala dos atores, como o passado da Fiocruz se torna um elemento crucial de estabilidade, que é algo de que as pessoas precisam em momentos de crise

Como parte da iniciativa, estão sendo realizadas entrevistas com pessoas envolvidas nesse processo, nas diversas áreas da instituição. Até o momento, já foram entrevistadas 33 pessoas, acumulando mais de 110 horas de gravação. Esse material será depositado, futuramente, no acervo de história oral da instituição, sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz.

Em sua palestra, Simone abordou o tema “Memória em ação: a Fiocruz em tempos de urgência”, na mesa-redonda “Desafios contemporâneos para a valorização da memória institucional”. Trazendo ao debate algumas reflexões do campo da história do tempo presente, a historiadora disse que um elemento particularmente interessante é a referência ao passado e à tradição da Fiocruz na construção do seu lugar no presente. “A gente percebe na fala dos atores como esse passado da Fiocruz se torna um elemento crucial de estabilidade, que é algo de que as pessoas precisam em momentos de crise”, acrescenta.  

Fiocruz passou a ser vista como “um porto seguro” na pandemia

Na avaliação da historiadora, a “Fiocruz foi chamada a assumir uma série de responsabilidades” e passou a ser vista como “um porto seguro”, capaz de produzir certezas, mesmo que algumas sejam provisórias, como é natural à própria ciência. Essa percepção da instituição é crucial, sobretudo “se a gente pensa no tema que é tão central no debate público, que é a confiança”, afirma Simone, indicando que as entrevistas deixam isso claro. 

Simone chama atenção para o significado da COC nesse processo. A historiadora revela que, em vários momentos, ouviu dos entrevistados declarações como: “É muito bom que esse processo esteja sendo registrado, e é muito bom que seja feito pela Casa de Oswaldo Cruz”. Embora essa expectativa seja natural, considerando a missão institucional da COC, “esse é um projeto que constitui a identidade da Casa nesse coletivo [a Fiocruz]”, pontua a historiadora sobre a iniciativa, que ainda está em desenvolvimento. 

Para a pesquisadora, é importante pensar as ações da Fiocruz frente à pandemia como um processo mais amplo, pelo qual a ciência brasileira e a ciência mundial se viram desafiadas a produzir conhecimentos e respostas para essa emergência de consequências tão dramáticas para a saúde e a vida das populações. Registrar essa “memória em ação” é fundamental para a compreensão dos processos que constituem a própria “ciência em ação”, sublinha Simone em referência ao título do conhecido livro do filósofo Bruno Latour.

A historiadora enfatiza que essa iniciativa de memória institucional está diretamente associada às ações de pesquisa e ensino em história das ciência e da saúde que a Casa de Oswaldo Cruz realiza. “Em muitos momentos das entrevistas, lembrei de questões sobre as quais falo em minhas aulas [no Programa de Pós-Graduação em História das Ciência e da Saúde]", sublinhou. 

O 4º Fórum Fiocruz de Memória foi promovido em 28 de junho no Centro de Documentação e História da Saúde (CDHS), no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio. O evento foi transmitido ao vivo pelo Facebook, onde pode ser conferido. À tarde, o público acompanhou as atividades pela plataforma Zoom.


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