Ir para o conteúdo

“Fármacos, soros e vacinas”: este foi o mote para os pesquisadores que fizeram apresentações na 6ª-feira (25/3)

30/03/2011

 

Pesquisador da Universidade de Hamburgo, Chris Meyer recorreu até à imagem de “um cavalo de Tróia químico”, como uma possível representação do vírus da Aids, o HIV-1, quando tentava explicar como o microorganismo se utiliza de disfarces para invadir as células do sistema imunológico.

Em palestra de grande precisão técnica, no campo da bioquímica, o pesquisador falou sobre como atuam algumas das mais de duas dezenas de novas drogas ministradas para combater a proliferação do vírus. Uma das formas é através da ação de enzimas que impedem a entrada do vírus na célula.

Ele mostrou slides, tentando tornar mais compreensível sua demonstração de como agem as novas drogas nucleosides. Além de inúmeros dados estatísticos e gráficos, entre as fotos comparativas que trouxe para a aula, havia algumas de culturas de células infectadas pelo vírus, comparadas a outras fotos de culturas de células sãs, semelhantes.

Cláudio Cirne Santos, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, falou sobre os estudos desenvolvidos por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal Fluminense, parceiros em um amplo projeto, em que o objetivo é obter substâncias novas, a partir de algas marinhas, que tenham a ação de inibir a replicação do HIV1.

“A ideia é que também atuem como microbiocidas ou antivirais, para combater a herpes, outras bactérias, utilizando produtos essenciamente brasileiros, com custos mais baixos, que sejam seguros e de fácil utilização”, explicou Cláudio Cirne, enfatizando que “o objetivo é reduzir as taxas de infeção e de morbidade: seria um gel, complementar à utilização do preservativo.”

 

brasil_alemana6a2

Cláudio Cirne Santos, do Instituto Oswaldo Cruz, fala sobre o projeto desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal Fluminense, cujo objetivo é obter antivirais a partir de algas marinhas encontradas em águas brasileiras. Os pesquisadores trabalham com a Dolabelladienetriol, substância que isolaram e demonstra a eficácia para inibir a replicação do HIV-1 em células do sangue. Foto: Roberto Jesus Oscar.

 

Entre 1999 e 2003, a primeira substância microbicida foi isolada pelo grupo, a partir da alga Dictyota pfaffii, encontrada na costa do Atol das Rocas (RN), e da qual foram extraídas diterpenos polioxigenados, capazes de inibir em 95% a replicação do vírus da Aids.

A historiadora Marion Hulverscheidt, do Instituto de Pesquisas Médicas do Centro Charité, de Ciências Humanas e da Saúde da Universidade de Medicina de Berlim, contou que estudou uma época totalitária, que abrange a 2ª Guerra, entre 1930-45, quando dedicou-se a analisar vários aspectos que envolvem “medicamentos, vacinas e experimentação humana” e, neste contexto, como foi “a colaboração científica entre alemães e brasileiros”.

Ela acabou esbarrando na trajetória do médico Eugen Haagen, que testou a vacina contra a febre amarela e outros medicamentos experimentais em hospitais psiquiátricos e no campo de concentração Natzweiler, situado na Alsácia alemã. Há depoimentos de estudiosos do assunto, como Hans-Jürg Kuhn que o médico nazista foi o titular da cadeira de higiene e bacteriologia, na Strasbourg University.

Walter Mank, médico do Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo, era oficial nazista e veio ao Rio e foi a outros países latino-americanos por intermédio do Laboratório Behring de Produção de Vacinas. Ele trabalhou com anti-maláricos e, segundo a professora Hulverscheidt, em 1943 fez experiências “que causaram grande sofrimento a trabalhadores russos e africanos, de Camarões.”

Juliana Manzoni Cavalcanti, doutoranda da Casa de Oswaldo Cruz, falou sobre a carreira do médico, professor e pesquisador Rudolf Kraus, que viveu em Buenos Aires e no Brasil, entre 1913 e 1923. Foi o diretor do Instituto Bacteriológico de Buenos Aires e do Butantan, em São Paulo, quando aperfeiçoou-se nas técnicas de produção do soro antiofídico. Ele desenvolveu trabalhos sobre aspectos clínicos da doença de Chagas e interessava-se por estudos sobre doenças infecciosas, como o cólera, as doença de Chagas, doença do sono e a peste bubônica.

 

Leia mais:

 

Simpósio Brasil – Alemanhã é encerrado com acordo entre Fiocruz e instituto alemão

 

Febre amarela entre outras doenças tropicais são o fio condutor das últimas apresentações durante o simpósio

 

Viagens científicas e visões da natureza

Mesa discute antropologia médica, ecologia e saúde

 

“Imigração, saúde e cultura” são discutidos durante Simpósio Brasil – Alemanha

 

O intercâmbio comercial, as relações científicas, suas estratégias, influências e a
trajetória de profissionais foram temas das apresentações

 

Simpósio inaugura duas mostras

 

Alemanha e Brasil celebram 100 anos de cooperação científica em simpósio

 


Compartilhe

Facebook Twitter Google Plus E-mail Imprimir

Compartilhe

Facebook Twitter Google Plus E-mail Imprimir