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Centenário do INI é tema de exposição e vídeo produzidos pela COC

01/11/2018

Concebido no início do século 20 como um hospital dedicado à pesquisa clínica de doenças infecciosas que se disseminavam no território brasileiro e reconhecido na atualidade por sua atuação na resposta a epidemias como as de zika, dengue e HIV/Aids, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) completa cem anos em 2018. Para marcar o centenário, a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) inaugurou a exposição 100 Anos em Prol da Pesquisa Clínica, durante o simpósio INI 100 Anos: Integrando Saberes na Construção do Conhecimento em Doenças Infecciosas, promovido pelo INI.

Na abertura do evento, realizada no dia 6 de novembro, foi lançado um vídeo em comemoração à data, produzido pela COC sob coordenação da pesquisadora Dilene Raimundo do Nascimento. “A reflexão sobre a memória de uma instituição ilumina o seu processo histórico e, tratando-se de uma instituição de saúde, permite um melhor entendimento do hoje e as perspectivas da saúde no país”, afirma Dilene. Na cerimônia de abertura do simpósio, a historiadora Anna Beatriz de Sá Almeida, da COC, abordou o tema Considerações sobre a história da pesquisa clínica no INI/Fiocruz (1918-1980). A atividade aconteceu no auditório do Museu da Vida, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio.

 “Tem sido muito importante o trabalho da Casa associada ao INI para a celebração desta efeméride que aciona elementos da memória e lança luz sobre aspectos da história mais recente do instituto, como sua atuação na epidemia da HIV/Aids na década de 1980”, afirmou o diretor da COC, Paulo Elian, que participou a mesa de abertura do simpósio. “A identificação de documentos e a realização de entrevistas foram e continuarão a ser fontes importantes para diferentes estudos sobre o instituto”, complementou.

Composta por oito módulos, a mostra INI 100 Anos ficou em cartaz no foyer do auditório do Museu da Vida de 6 a 9 de novembro. O primeiro módulo da exposição foi dedicado a Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, idealizadores da construção de um hospital voltado aos experimentos resultantes das expedições científicas realizadas pelos cientistas do Instituto Soroterápico Federal, instituição que deu origem à Fiocruz. A unidade hospitalar, então chamada de Hospital de Manguinhos, é o embrião do que hoje é o INI.

Evandro Chagas

Dedicado à construção do hospital, o módulo seguinte traz detalhes do projeto, assinado pelo arquiteto Luiz de Moraes Junior, com imagens das obras feitas pelo fotógrafo J. Pinto na década de 1910. Patrono no instituto, Evandro Chagas é tema de outro painel. O cientista teve sua prática profissional ligada ao Hospital de Manguinhos, a partir do qual empreendeu incursões ao interior do país para pesquisar casos de leishmaniose visceral americana, deparando-se com diversas endemias.

O cotidiano do hospital é abordado em outro módulo, que traz informações sobre os anos que se seguiram à morte de Evandro Chagas. O painel seguinte trata da construção de um novo prédio para abrigar o hospital na década de 1950, bem como dos impactos da ditadura militar instaurada em 1964 no instituto e seus cientistas, incluindo o episódio que ficou conhecido como "Massacre de Manguinhos".

A reestruturação do Hospital Evandro Chagas na década de 1980, com o processo de redemocratização do país, também é abordada na mostra. Nesse período, em que foram registrados os primeiros casos de Aids no país, o instituto teve papel de destaque tanto na oferta de atendimento quanto na realização de pesquisas sobre a doença.

Outro painel narra o processo que resultou na transformação do hospital − que se tornara uma referência em HIV/Aids − em uma unidade técnico-científica da Fiocruz. O último módulo inclui feitos recentes do instituto, com destaque para sua atuação para que a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV se tornasse uma política pública adotada pelo Ministério da Saúde, e salienta sua importância para o enfrentamento de desafios futuros no campo da saúde pública no Brasil.

Arquitetura hospitalar

Como parte da programação comemorativa ao centenário do INI, a COC promove ainda o Simpósio de Arquitetura Hospitalar e Patrimônio Cultural em 22 de novembro, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio. Com o objetivo de abordar os desafios contemporâneos do patrimônio arquitetônico hospitalar, o evento terá duas sessões.

A primeira sessão, intitulada Acervos Documentais da Saúde, discutirá o estado da arte dos acervos documentais de instituições de saúde, especialmente na região Sudeste. Já a sessão História e Preservação da Arquitetura Hospitalar examinará os desafios relativos à permanência do uso de edificações históricas para fins hospitalares. O evento integra também a programação da COC para a Semana do Patrimônio Fluminense. Mais detalhes sobre a programação serão divulgados em breve.


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