Tragédia no Museu Nacional é destaque da nova edição da HCS-Manguinhos

29/10/2018

O incêndio no Museu Nacional é o tema da capa e da Carta dos Editores da nova edição da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Disponível na íntegra no Portal Scielo, o número 3 do volume 25 (julho a setembro de 2018) do periódico científico da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) apresenta na seção Análise artigos sobre temas como a construção de políticas para o controle do tabaco no Brasil, a medicina chinesa e a acupuntura, a fundação de colônias naturistas por portugueses no Brasil e a epidemia de gripe de 1918-1919 em Portugal.

O incêndio, a morte e a esperança é o título da Carta dos Editores, assinada pelos pesquisadores Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva. Ainda sob o impacto da tragédia que destruiu a sede da instituição científica mais antiga do país, os editores científicos da HCS-Manguinhos lamentaram o “evento desastroso que marcará a história cultural do Brasil e de toda a América Latina e que será gravado como uma tragédia inesquecível para a cultura mundial”.  Marcos Cueto e André Felipe também declararam imediato apoio aos esforços de pesquisadores de todo o mundo para reunir documentos e imagens que pertenciam ao arquivo do Museu Nacional.

Na Carta do Editor Convidado, o professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Gustavo Caponi homenageia o historiador e filósofo da biologia Jean Gayon, falecido em 28 de abril de 2018. De acordo com Caponi, o professor da Universidade de Paris 1 deixou como principal legado para a filosofia e a história das ciências a renovação da tradição dos estudos históricos-epistemológicos. “Em suas obras, ele sempre apostou na convergência de ideias: na busca de consensos e denominadores comuns de onde chegar mais longe, minimizando as oposições estéreis e inconclusivas”, afirmou o professor da UFSC.

Análise

Onze artigos fazem parte da seção Análise do número 3 do volume 25 da HCS-Manguinhos: De Bombaim ao Rio de Janeiro: circulação de conhecimento e a criação do Laboratório de Manguinhos, 1894-1902; Em busca do novo Éden no século XX: os portugueses e a fundação de colónias naturistas no Brasil; A resposta em Coimbra à epidemia de pneumónica de 1918-1919 sob o olhar de um periódico local; Vistas fotográficas das ferrovias: a produção de registros de obra pública no Brasil do século XIX; A pílula da oportunidade: discursos sobre as pílulas anticoncepcionais na Gazeta da Farmácia, 1960-1981; A saúde via consumo: a representação idealizada das donas de casa, mães e esposas nos manuais de economia doméstica e nos anúncios das revistas O Cruzeiro e Manchete, 1940-1960; El control de la correspondencia de los enfermos mentales en las instituciones psiquiátricas españolas: entre el cuidado y la censura, 1852-1987; Commerce, conflict, and contamination: yellow fever in early-independence Veracruz in the US imaginary, 1821-1848; Tabaco: a construção das políticas de controle sobre seu consumo no Brasil; Capital simbólico do trabalho das visitadoras sanitárias da Fundação Serviço de Saúde Pública, Alagoas/Brasil; Medicina chinesa/acupuntura: apontamentos históricos sobre a colonização de um saber.

Nota de Pesquisa

No texto Escrevendo a história do conhecimento no Brasil, o historiador inglês Peter Burke debate contribuições recentes para a história do conhecimento no país, sobretudo na área de história das ciências. Ao analisar os diferentes espaços ou locais de conhecimento, que marcaram os últimos duzentos anos, como escolas, museus e jornais, Burke também lança sugestões para o desenvolvimento do campo. No outro artigo da seção, Nydia Aguirre-Bolaños, da Universidad Nacional Autónoma de México, discute La etapa posterior a la erradicación de la viruela en México, 1952-1977.  A historiadora explica o trabalho do Ministério da Saúde e Assistência para manter os níveis de proteção e prevenir a reintrodução da doença em uma época em que ainda era endêmica em vários países do mundo.

Livros & Redes

Quatro resenhas compõem a seção Livros & Redes da nova edição de História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Medicine, healing, and ways of knowing in the colonial Caribbean é o título do texto de Adam Warren sobre The experiential Caribbean: creating knowledge and healing in the early modern Atlantic, de Pablo F. Gómez. O livro Life on ice: a history of new uses for cold blood é o objeto da resenha de Vivette García-Deister. Em A ciência possui historicidade, Carlos Alvarez Maia analisa Um papel para a história: o problema da historicidade da ciência, de Mauro Lúcio Condé. A obra de Annette Mülberger, Los limites de la ciencia: espiritismo, hipnotismo y el estúdio de los fenómenos paranormales (1850-1930) é o tema da resenha de José Carlos Loredo Narciandi, intitulada La verdad histórica del espiritismo.

Confira a edição na íntegra


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