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Bolsista da COC participa de Conferência da OMS sobre Atenção Primária

20/09/2018

A estudante Fabiana Pinto Fernandes garantiu sua participação no maior evento do mundo sobre atenção primária à saúde. Bolsista de iniciação científica da Fiocruz (Pibic), nos dias 25 e 26 de outubro, estará em Astana, no Cazaquistão, junto com a delegação do Brasil na Conferência Global sobre Atenção Primária, convocada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e com parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef). Cotista do curso de Saúde Coletiva da UFRJ, Fabiana foi selecionada, mas não tinha recursos para viajar. Decidida a fazer parte da reunião histórica (em setembro de 2018, a Conferência de Alma-Ata, na antiga república soviética, completa 40 anos), ela promoveu uma campanha nas mídias sociais, com ajuda de amigos, para arrecadar 15 mil reais e custear sua viagem. O esforço valeu a pena. Em menos de um mês, a jovem de 23 anos atingiu a meta. “A ficha ainda não caiu”, disse.

Embora feliz, Fabiana sabe que haverá discussões intensas em torno do tema. O perigo de retrocesso existe, na avaliação da estudante. “É preciso um olhar mais amplo em torno do fortalecimento do movimento originado na Conferência de 1978”, afirmou. A bolsista acredita que a seleção de seu trabalho também vai contribuir para fortalecer a graduação em saúde coletiva. Ao falar do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) e de sua importância, Fabiana disse que a experiência vai ajudá-la a construir um olhar crítico em sua formação individual.

Para a estudante, a iniciação cientifica ajuda a desenvolver o potencial de pensar e ser crítico, que, muitas vezes, não pode ser tão aprofundado na dinâmica da graduação.  “Você não tem tempo para fazer essa discussão mais crítica, coisa que é fundamental, então a iniciação científica funciona como um complemento”. Por isso, concluiu Fabiana, é enriquecedor participar do Pibic.    

Bolsista teve participação ativa no Abrascão

Fabiana desenvolve o estudo "O processo histórico de construção da Política Nacional de Atenção Básica (1988 - 2006)", que está inserida no projeto de pesquisa “História da Atenção Primária à Saúde no Brasil: de modalidade de atenção à Saúde a Política Prioritária”, coordenada pelo Observatório História e Saúde. Com financiamento do CNPq, a iniciativa conjunta do Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde e da Biblioteca de História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, o projeto propõe o desenvolvimento integrado de dois eixos de atividades.

O primeiro é reconstruir, com a pesquisa histórica, a trajetória da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil e suas conexões com as correntes de pensamento e as formulações programáticas da saúde internacional, em especial no contexto interamericano. O segundo eixo é instituir fontes de informação especializada sobre a história das políticas e dos modelos de atenção à saúde, integrada às bases e plataformas de informação histórica geridas pela COC. Entre essas plataformas, estão a Biblioteca Virtual de História e Patrimônio Cultural da Saúde (HPCS), Base Bibliográfica em História da Saúde Pública na América Latina e Caribe (Base Hisa) e o sítio do Observatório História e Saúde.

Apaixonada pela saúde coletiva, Fabiana passou os últimos meses imersa no tema. Além de seguir construindo a pesquisa sobre história da atenção primária, esteve envolvida em diversos movimentos importantes. Um deles foi realizado pela primeira vez no campus Manguinhos da Fiocruz: o 12º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva da Abrasco (o Abrascão), que reuniu mais de 7 mil participantes. Os congressistas desenvolveram cerca de 700 atividades entre os dias 26 e 29 de julho, quando discutiram o fortalecimento do SUS, os direitos e a democracia. Mais informações sobre o Congresso, no Portal Fiocruz: https://portal.fiocruz.br/abrascao-2018

Na UFRJ, em julho, Fabiana trabalhou na organização do Encontro Nacional de Estudantes de Saúde Coletiva (Enesc), que reuniu mais de 100 participantes de todo o Brasil. “Foi um movimento forte, lindo e de muita luta”, lembrou. Em sete dias, o Enesc contou com pesquisadores do Instituto de Medicina Social, da Ensp, UFF, Cebes e da Abrasco. Fabiana coordenou as mesas "Políticas de austeridade e seus impactos no SUS" e "Raça, Classe e Gênero: Limites e potencialidades em saúde".

Na Fiocruz, a bolsista do Pibic se envolveu ativamente na comissão organizadora do 12º Abrascão (Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva - Abrasco), que promoveu o debate em torno da defesa das conquistas da saúde coletiva, do SUS, dos direitos e da própria democracia brasileira, visando proteger e aperfeiçoar os avanços conquistados. As discussões foram realizadas por pesquisadores de diversas áreas, profissionais e trabalhadores da saúde, gestores e técnicos da saúde, bem como militantes de movimentos sociais e de entidades da sociedade civil. O Congresso se caracterizou como um dos mais importantes fóruns científicos da área no mundo.

Fabiana atuou, principalmente, na Subcomissão de Mobilização Social, fazendo contato com os movimentos sociais e organizando a participação desses grupos no Congresso. Ela também tratou de questões práticas, como a seleção e o treinamento de monitores e no cuidado do alojamento (na UFRJ). “Atuei em cada segmento desse, sempre aprendendo muito e trocando com meus pares da saúde coletiva”, frisou.

No Congresso, a bolsista participou de uma mesa-redonda, cujo tema foi "Formação em Saúde e Movimentos Sociais". Ela foi convidada pela professora Carla Albuquerque, da Unirio. A mesa contou com a médica e pesquisadora da Fiocruz, Paulette Cavalcanti de Albuquerque e Ivy Tavares, do MST-Rio.

Orientador destaca a “importância da formação em história para a área da saúde coletiva”

Para o orientador de Fabiana Pinto Fernandes, o professor e pesquisador Carlos Henrique Paiva, é muito bom ver uma jovem estudante envolvida com as atividades de um evento como a Conferência Global sobre Atenção Primária, em Astana. “Em tese, todos ganham; o evento, especialmente com a adesão de jovens idealistas, que têm experiências e comungam valores solidários”, afirmou. Ele também apontou a vocação dos jovens para compartilhar ideias e ouvir.

Sobre o destaque de Fabiana na saúde coletiva, Paiva disse sentir-se pessoalmente satisfeito e fez questão de destacar um ponto em particular. “Receber uma jovem graduanda em saúde coletiva, particularmente no Observatório História e Saúde, faz-nos pensar a respeito da importância da formação em história para a área. Fortalecer a perspectiva histórica nas análises em saúde, na formação dos profissionais, é algo que nós valorizamos e acreditamos. Por essa razão, entendemos que isso é parte importante do papel institucional dos historiadores da saúde da Casa de Oswaldo Cruz”. Ele ressaltou a importância do Pibic para o estímulo e o desenvolvimento de novos talentos em ciência, inovação e para a formação de recursos humanos.

Segundo o professor, sua inserção na pesquisa se deu graças ao programa. “O ingresso na Fiocruz como bolsista de Iniciação Científica foi bastante transformador. Aqui, e por intermédio do Pibic, se construiu uma perspectiva futura de pesquisador. Foi aqui que eu construí, portanto, na interação com o meu orientador e outros pesquisadores, a ideia de que pesquisa era um caminho profissional viável. Penso que meu exemplo se reproduziu e se reproduz em muitos e muitos casos”.

Como fazer para que os graduandos tenham e mantenham interesse em pesquisa em um momento de restrição orçamentária? É preciso “despertar ou alimentar o interesse que os jovens já têm sobre as coisas ao nosso redor”, enfatizou Paiva. “Um cientista vive de boas perguntas. Por que as coisas se deram de um jeito e não de outro? O que explica tal fenômeno? Manter a humana chama das boas perguntas é o principal papel da Iniciação Científica”, declarou Carlos Henrique Paiva.

“Obviamente precisamos de apoio financeiro e institucional, sem os quais não se consegue avançar para outros patamares e mesmo profissionalizar aqueles e aquelas que, digamos assim, encontram um sentido de vida na atividade científica”, concluiu o coordenador do Observatório História e Saúde.

Sistema de Gestão de Bolsas – Pibic e Pibiti

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) tem como objetivo desenvolver o pensamento crítico e a iniciação cientifica de estudantes de graduação do ensino superior para a formação em recursos humano em pesquisa. Os orientadores dos bolsistas são pesquisadores da Instituição.

Outra iniciativa no âmbito da Fiocruz é o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti). O objetivo desse Programa é estimular estudantes do ensino superior, o desenvolvimento e a transferência de novas tecnologias e inovação aplicadas a necessidades da área de saúde da população brasileira.

Para participar dos Programas, são necessários os seguintes requisitos: estar regularmente matriculado em curso de graduação de instituição de ensino superior pública ou privada, reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). O processo de seleção é feito no primeiro semestre de cada ano, sendo finalizado em julho; as bolsas são implementadas em agosto. O Pibic e Pibiti contam com apoio e a parceria do CNPq.


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