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HCS-Manguinhos debate política de saúde na América Latina e Caribe

02/02/2018

O dossiê sobre política de saúde pública na América Latina e no Caribe é um dos destaques do volume 24 nº 4 da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Entre uma oferta variada de artigos de diferentes áreas do conhecimento, campos temáticos, abordagens, temporalidades e geografias, a edição também apresenta um debate sobre zika e Aedes aegypti, abordando antigos e novos desafios no contexto sanitário brasileiro, a partir do “registro das percepções de especialistas dedicados a pensar a doença em seus condicionantes sociais, econômicos e culturais”.

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SciELO - HCS-Manguinhos, vol. 24, nº 4
Blog da revista 'HCS-Manguinhos'

Coordenado pela historiadora Henrice Altink, da Universidade de York (Inglaterra), pela pesquisadora Magali Romero de Sá, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e pela professora Debbie McCollin, da University of the West Indies (Trinidad e Tobago), o dossiê sobre política de saúde pública na América Latina e no Caribe é composto de cinco artigos que discutem “o rico panorama das dinâmicas envolvendo saúde pública, política e cultura em países como Haiti, Cuba, Jamaica, Brasil, Peru e Bolívia e as redes de circulação de saberes com Europa e Estados Unidos”. Os trabalhos são resultados das apresentações de três encontros promovidos por cooperação entre a Casa de Oswaldo Cruz e a Universidade de York, entre 2014 e 2016.

Debate zika e Aedes

De que maneira as ciências sociais e a história podem contribuir para compreender e orientar políticas públicas para o combate à epidemia de zika? Este é o questionamento geral que orienta o debate sobre zika e Aedes aegypti, promovido pelo editor-científico Marcos Cueto e a editora-executiva da HCS-Manguinhos Roberta Cerqueira. A iniciativa é uma consequência direta do seminário Aedes aegypti: antigas e novas emergências sanitárias, realizado pela Casa de Oswaldo Cruz, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-americana da Saúde (Opas/OMS) e o Centre For Global Health Histories, da Universidade de York.

Organizado em dezembro de 2016, em torno do impacto da infecção pelo vírus zika nas grávidas e recém-nascidos, na saúde pública, nas ideias populares sobre o Aedes e no respeito aos direitos sociais das mulheres, o debate reuniu o pesquisador da COC/Fiocruz Jaime Benchimol, a diretora de pesquisa do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale (França) e pesquisadora visitante da COC/Fiocruz, Ilana Löwy, da professora da Escuela de Ciencias Humanas da Universidad del Rosario (Colômbia) Mónica García, da representante da Opas/OMS em Venezuela e Antilhas Holandesas, José Moya, e a doutoranda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Flávia Thedim Costa Bueno.

Análise e Imagens

Na seção Análise, destacam-se nove artigos inéditos, que abrangem temas variados, como as revistas da medicina social latino-americanas; o discurso médico presente no consumo de frutos e compotas na América portuguesa do século XVI; o caso dos tradutores médicos em Portugal no século XVIII; o atendimento a pacientes com câncer em Portugal; a crise na saúde da Colômbia; as tecnopolíticas das mudanças climáticas; a memória dos doentes de hansenísase na Colômbia; o neolamarckismo de Edward Drinker; e a situação dos pacientes terminais na Argentina. Na seção Imagens, as professoras da Universidade Federal Fluminense (UFF) Hebe Mattos e Martha Abreu, ao lado da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), discutem o tema do audiovisual como ferramenta do historiador.

Livros e redes

Quatro resenhas compõem a seção Livros & Redes do número 4 do volume 24 da revista. Em Uma história de historiadores ausentes? Um chamado à reflexão historiográfica, Gabriel Lopes e Letícia Pumar analisam obra de Carlos Alvarez Maia. O livro de Enrique Leff – A aposta pela vida: imaginação sociológica e imaginários sociais nos territórios ambientais do Sul – é discutido por Leo Peixoto Rodrigues, Rafael Braz e Camila Prates. Em outro texto, Paloma Porto se debruça sobre o livro de Rodrigo César da Silva Magalhães – A erradicação do Aedes Aegypti: febre amarela, Fred Soper e saúde pública nas Américas (1918-1968). Na quarta e última resenha, em espanhol, Yuri Carvajal comenta o livro Beyond imported magic: essays on science, technology e society in Latin America, de Medina Eden, Ivan da Costa Marques e Christina Holmes.

Carta dos Editores

Assinada pelos editores científicos da HCS-Manguinhos, André Felipe Cândido da Silva e Marcos Cueto, a Carta dos Editores traz um balanço dos destaques da edição e celebra o reconhecimento na avaliação quadrienal de periódicos científicos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que manteve a revista como A1 nas áreas de História; Interdisciplinar; Sociologia; e Educação. André Felipe e Marcos também manifestaram “inquietude com os recentes ataques à liberdade e à autonomia do pensamento acadêmico no Brasil”. Além de prestar solidariedade aos colegas e instituições que vêm sofrendo “ataques revestidos de nebuloso autoritarismo”, os editores da HCS-Manguinhos também afirmam a sua esperança por “eleições plenamente democráticas” em 2018.

 

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