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COC lembra centenário da morte de Oswaldo Cruz

13/02/2017

O médico Oswaldo Cruz encabeça a lista de cientistas brasileiros importantes da enquete promovida em 2010 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil”. Graças ao empenho e visão do médico e sanitarista, uma geração de importantes cientistas foi formada no Instituto de Manguinhos, que ganhou projeção internacional. Cruz deixou um rico legado para a história biomédica nacional e o Castelo da Fiocruz é um símbolo de produção de conhecimento científico, inovação e tecnologia em saúde. No centenário de sua morte, neste 11 de fevereiro, o Brasil tem sim motivo para comemorar a vida e a obra de Oswaldo Cruz. Em sua trajetória, a instituição manteve seu compromisso com a saúde pública para todos, mantendo sua origem dedicada à produção, à pesquisa, ao ensino e à defesa dos valores democráticos.

O sanitarista é lembrado pela contribuição decisiva no combate a doenças como febre amarela – que, atualmente, causa temor e registra surtos em algumas regiões do país -, peste bubônica e varíola, que grassavam no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras desde a segunda metade do século 19. As ações do médico reduziram as mortes por febre amarela e as demais doenças. Em 1903, houve 584 óbitos causados pela doença no Rio de Janeiro; em 1908, apenas quatro pessoas morreram vítimas da enfermidade.

Ao trazer ao País diversas inovações no campo da microbiologia e da pesquisa experimental aprendidas na França, onde se especializou no Instituto Pasteur no final do século 19, Oswaldo Cruz se destacou em sua área. As dificuldades que encontrou no combate às doenças na capital federal, prejudicando inclusive a relação comercial do Brasil com o mundo, não foram poucas. O jovem médico precisou adotar medidas duras de saneamento na cidade, que passou por grande transformação urbana conduzida pelo prefeito Pereira Passos durante a presidência de Rodrigues Alves.

Dirigido pelo Barão de Pedro Afonso, que era também proprietário do Instituto Vacínico Municipal do Rio de Janeiro, o Instituto Soroterápico Federal tinha a missão de produzir o soro e a vacina antipestosos. Para coordenar esta tarefa, Oswaldo Cruz foi designado como seu diretor técnico. Em 1902, após o afastamento do Barão de Pedro Afonso, Oswaldo Cruz tornou-se diretor geral do ISF. Também à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, entre 1903 e 1909, promoveria uma verdadeira batalha contra a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Para isso foi necessário elaborar e aprovar um novo código sanitário, que instituía, entre outras medidas, a obrigatoriedade da vacinação antivariólica. Este fato foi o estopim do levante popular que sacudiu as ruas do Rio de Janeiro em novembro de 1904, e que ficaria conhecido como Revolta da Vacina.

No entanto, apesar de críticas por parte da imprensa, de médicos, políticos e da rebelião popular, Oswaldo Cruz obteve êxito em suas campanhas sanitárias e foi consagrado com várias homenagens. Em 1907 recebeu a medalha de ouro em nome da seção brasileira presente no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. De volta ao Brasil em 1908, foi recepcionado como herói nacional. A ocasião também marcou o fim das críticas por sua conduta frente às campanhas sanitárias. Em 1913 Oswaldo Cruzou ingressou na Academia Brasileira de Letras, e um ano depois foi agraciado com o título de oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França.

Ele realizou o levantamento das condições sanitárias do interior do País promovendo expedições científicas com pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, como em 1910, quando, ao lado de Belisário Penna, combateu a malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, na Região Amazônica.

A Casa de Oswaldo Cruz, instituto da Fiocruz dedicado à história e à memória da instituição, preserva acervos que revelam a trajetória do sanitarista, por meio de documentos, imagens, livros e objetos. O público também encontra reportagens, programas especiais e documentários dedicados a Oswaldo Cruz. Confira nos links selecionados neste artigo parte do material disponível em nosso portal, na Agência Fiocruz de Notícias e em diversos veículos da imprensa.

ACERVO HISTÓRICO

Veja imagens históricas do acervo da Casa de Oswaldo Cruz

VÍDEOS

Programa De Lá Pra Cá apresentado por Ancelmo Gois na TV Brasil, com participação de Nara Azevedo

Documentário Oswaldo Cruz na Amazônia, da VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz

Oswaldo Cruz, o Médico do Brasil - Projeto Memória 2003: Fundação BB, Fiocruz, Odebrecht

Projeto Memória 2003 – Oswaldo Cruz (documentário de Silvio Tendler)
Parte 1 Parte 2 Parte 3Parte 4

Reportagem especial do Repórter Brasil (TV Brasil) resgata história de Oswaldo Cruz

 

 

REVISTA HISTÓRIA, CIÊNCIAS, SAÚDE - MANGUINHOS

Oswaldo Cruz e a controvérsia da sorologia, de Jorge Augusto Carreta

A Construção da Imagem de Oswaldo Cruz, de Paulo Knauss

A bordo do República: diário pessoal da expedição de Oswaldo Cruz aos portos marítimos a fluviais do Brasil, de Ana Luce Girão

IMPRENSA

Oswaldo Cruz: o sanitarista que mudou o Brasil - EBC

Oswaldo Cruz, o homem que venceu o Aedes - O Globo

Oswaldo Cruz e a varíola: A revolta da vacina - Superinteressante

Na Trilha da História relembra a Revolta da Vacina - EBC

OUTROS SITES

Oswaldo Inspira: 100 anos sem Oswaldo Cruz (1872-1917) - IOC/Fiocruz

História de Oswaldo Cruz - Invivo

Oswaldo Cruz, o médico que derrotou o Aedes – Senado Federal

Raupp quer incluir o nome de Oswaldo Cruz no Livro dos Heróis da Pátria – Senado Federal

Arquivo Oswaldo Cruz é reconhecido como patrimônio da Humanidade – Agência Fiocruz de Notícias

Ópera 'O cientista', baseada na vida de Oswaldo Cruz, continua em cartaz – Agência Fiocruz de Notícias

Oswaldo Cruz, um louco genial - Agência Fiocruz de Notícias

REFERÊNCIAS (LIVROS)

BRITTO, Nara. Oswaldo Cruz: a criação de um mito na ciência brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1995.

BENCHIMOL, Jaime. Dos micróbios aos mosquitos: febre amarela e a revolução pasteuriana no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1999.

BENCHIMOL, Jaime. Pereira Passos, um Haussmann tropical: a renovação urbana do Rio de Janeiro no início do século XX. Rio de Janeiro: Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural. 1992. 

BENCHIMOL, Jaime. Manguinhos do sonho à vida; a ciência na Belle Époque. Rio de Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz, 1990.


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